Hospitais Usam Furadeiras em Cirurgias

Diante das denúncias de que hospitais públicos fluminenses usam furadeiras de marcenaria para operar a cabeça de pacientes, o presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), José Carlos Saleme, criticou a divulgação como “sensacionalista”.

“Acho que não é por aí que se resolve a questão. Precisa de uma investigação mais séria. Nunca vai ser com esse tipo de sensacionalismo, porque alarmar a população não ajuda em nada”, disse o neurocirurgião.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, “médicos do mundo inteiro” ainda usam a furadeira. “O importante é a esterilização delas. É preciso que ponteiro seja esterilizável. Algumas dessas furadeiras fabricadas pra uso fora médico permitem que elas sejam esterilizadas com oxietileno ou formolina”, disse José Saleme.

Ele disse ainda que o maior problema dos hospitais fluminenses é a falta de médicos. O presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, vereador Carlos Eduardo (PSB), disse que recebeu as denúncias de médicos cansados da falta de equipamento mais adequado.

O vereador Carlos Eduardo (PSB) disse que as denúncias dão conta de que estão sendo reutilizadas brocas nas furadeiras fazendo-se apenas uma esterilização com álcool antes da cirurgia.

Vereador e presidente de Sociedade Brasileira de Neurocirurgia divergem sobre uso de furadeira em operação (Foto:Divulgação)

“Joga-se álcool e se submete o paciente a esse crime. Há 50 anos se usava isso. É lastimável que esses pacientes corram risco de hemorragia, infecção, seqüelas graves. É mais um capitulo da falta de gestão (das secretarias municipal e estadual de Saúde)”, disse o presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal em entrevista à rádio CBN.

O presidente da comissão de saúde informou também que vai pedir a abertura de um inquérito civil público no Ministério Público Estadual. Ele disse que exige reaparelhamento das emergências com recursos humanos e dos centros cirúrgicos com uso de material adequado.

Os hospitais estaduais Adão Pereira Nunes (Duque de Caxias, Baixada Fluminense), Azevedo Lima (São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio), Rocha Faria (Campo Grande, Zona Oeste do Rio), Getulio Vargas (Penha, Zona Norte do Rio) e o municipal Souza Aguiar (Centro do Rio) são os que mais operam com furadeiras elétricas, segundo as denúncias do vereador.

 Governo estadual reconhece prática

A Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil rebateu as denúncias da Comissão de Saúde.“Quatro hospitais da rede estadual que fazem neurocirurgia utilizam furadeiras há anos, com brocas próprias para esse tipo de operação, salvando a vida de pacientes que necessitam de cirurgias de emergência. As furadeiras são usadas somente para perfurar o crânio, e todo o restante da cirurgia é feito com material apropriado. Essa prática é comum na rede pública e já foi bastante utilizada por hospitais particulares. Todo o material utilizado nas neurocirurgias é esterilizado adequadamente, descartando o risco de infecções”, diz a assessoria de imprensa.

Depois de reconhecer o uso de furadeiras, a Secretaria estadual de Saúde informou também que “está equipando adequadamente os hospitais Azevedo Lima e Adão Pereira Nunes, que serão os centros de referência em neurocirurgia na rede estadual. Até o inicio da próxima semana, ambos receberão conjuntos importados para neurocirurgia, contendo vários equipamentos, incluindo furadeiras e brocas”.

Já a Secretaria municipal de Saúde informou que “a direção do Hospital Municipal Souza Aguiar desconhece reclamações de profissionais da unidade sobre o serviço de neurocirurgia. Contudo, analisa a possibilidade da renovação tecnológica dos equipamentos desse setor. Independente dos equipamentos, todos que necessitam dessa especialidade encontram atendimento satisfatório em todos os hospitais da rede que a possuem”.

 A minha opinião sobre este assunto é simples e curta, se os médicos estão a utilizar as furadeiras de uma maneira correta, sem colocar em risco, ou deixar um risco mínimo de sequelas ou doenças contagiosas, qual o mal? Ou um paciente que está prestes a morrer com um tumor no cérebro vai pensar se vão lhe furar com a unha ou uma furadeira, que diferença isto faz a ele, que já está condenado a morrer? Ele só quer saber se poderá ter uma mínima chance de vida, mesmo que para isso sejam preciso o uso de furadeiras.

Published in: on 23 outubro, 2007 at 3:52 pm  Deixe um comentário  

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